segunda-feira, 13 de maio de 2013

125 Anos da Abolição da Escravatura


Há exatos 125 anos, nesse mesmo 13 de maio, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil.

O Brasil Império, sob o comando de uma princesa interina, passava por uma ebulição social nunca vista nos mais de três séculos de história documentada desde o descobrimento, em 1500. No início de 1888, começavam a se desenhar os acontecimentos que culminariam em um dos mais importantes marcos legais do país: a Lei Áurea. Para recontar esse momento emblemático, o Estado de Minas convida você, caro leitor, a uma viagem no tempo. Até terça-feira, a série de reportagens Abolição, 125 anos volta ao Rio de Janeiro da segunda metade do século 19, província que abrigava o poder político da época, para contar como se deu a extinção da escravidão no Brasil em seus quatro dias decisivos.

Num domingo, a 13 de maio de 1888, dia comemorativo do nascimento de D. João VI, foi assinada por sua bisneta a Dona Isabel,princesa imperial do Brasil, e pelo ministro da Agricultura da época, conselheiro Rodrigo Augusto da Silva a lei que aboliu a escravatura no Brasil. O Conselheiro Rodrigo Silva fazia parte do Gabinete de Ministros presidido por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador e chamado de "Gabinete de 10 de março". Dona Isabel sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II do Brasil em viagem ao exterior.

O projeto de lei que extinguia a escravidão no Brasil foi apresentado à Câmara Geral, atual Câmara do Deputados, pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva, no dia 8 de Maio de 1888. Foi votado e aprovado nos dias 9 e 10 de maio de 1888, na Câmara Geral.

A Lei Áurea foi apresentada formalmente ao Senado Imperial pelo ministro Rodrigo A. da Silva no dia 11 de Maio. Foi debatida nas sessões dos dias 11, 12 e 13 de maio. Foi votada e aprovada, em primeira votação no dia 12 de maio. Foi votada e aprovada em definitivo, um pouco antes das treze horas, no dia 13 de maio de 1888, e, no mesmo dia, levado à sanção da Princesa Regente.

Foi assinada no Paço Imperial por Dona Isabel e pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva às três horas da tarde do dia 13 de maio de 1888.


TEXTO DA LEI:
A lei n.º 3.353, (cujo projeto de lei foi apresentado à Câmara dos Deputados por Rodrigo Augusto da Silva, ministro dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, deputado e depois senador 50 ) de 13 de maio de 1888, que não previa nenhuma forma de indenização aos fazendeiros, dizia, na ortografia atual: "Declara extinta a escravidão no Brasil: A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte: Art. 1.º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Art. 2.º: Revogam-se as disposições em contrário.
Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
 O secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de Sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67.º da Independência e do Império.
Princesa Imperial Regente.
Rodrigo Augusto da Silva
Carta de lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o Decreto da Assembleia Geral, que houve por bem sancionar, declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara. Para Vossa Alteza Imperial ver. Chancelaria-mor do Império - Antônio Ferreira Viana.
Transitou em 13 de maio de 1888.- José Júlio de Albuquerque."

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A Mulher na Capoeira

Hoje em dia, é quase impossível assistir a uma roda de capoeira, em qualquer canto do mundo, onde não haja a presença feminina. As mulheres, com todo o direito, estão conquistando a cada dia, mais e mais espaço nesse universo que durante muito tempo foi predominantemente um espaço masculino.



A importância da mulher na capoeira vai muito além da graça e beleza que elas proporcionam a essa manifestação. A mulher sendo respeitada e valorizada numa roda de capoeira, garante que esse espaço seja cada vez mais um espaço democrático, onde a diversidade e a convivência harmoniosa entre os diferentes, significam um exemplo de tolerância e convívio social nesse mundo tão cheio de preconceitos e discriminações. Este exemplo é um dos ensinamentos mais importantes que a capoeira oferece às sociedades contemporâneas.

Além disso, a mulher é fundamental no trabalho de organização da capoeira. Não podemos pensar numa academia ou num grupo de capoeira, em que as mulheres não ocupem um papel estratégico nessa função. Talvez isso se dê pelo fato da mulher possuir essa capacidade de organização num grau mais desenvolvido que os homens, não sei. Só sei que sem as mulheres nessa função, a maior parte dos grupos de capoeira de hoje em dia não sobreviveriam por muito tempo.

Já temos também muitas mulheres com o título de “mestre” ou “mestra” de capoeira, como queiram. E são mulheres muito respeitadas no meio, que realizam trabalhos importantes e reconhecidos, apesar de ainda haver resistências por parte de alguns setores mais conservadores da capoeira. Mas é uma questão de tempo para que esse tipo de preconceito seja também superado.

Mas é bom lembrar que apesar do universo da capoeira ter sido predominantemente masculino, existiram muitas mulheres que deixaram seus nomes gravados na história da capoeiragem. Só para citar alguns nomes, a capoeira de outrora traz histórias impressionantes de valentia e destreza de algumas mulheres como: Maria Doze Homens, Salomé, Catu, Chicão, Angélica Endiabrada, Almerinda, Menininha, Rosa Palmeirão, Massú, entre muitas outras mulheres. Histórias que envolviam enfrentamentos com a polícia, brigas com navalha, e até mortes de valentões famosos como Pedro Porreta, que segundo algumas pesquisas indicam, foi de autoria da temida “Chicão”, conforme relatam jornais da época.

Fonte: Portal Capoeira

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vai o homem, fica o exemplo

Capoeira leal, capoeira pegada, capoeira justa, capoeira de dentro, capoeira de baixo, capoeira de fora, capoeira de cima, capoeira traiçoeira, capoeira brincada, capoeira jogada, capoeira lutada, capoeira escorregada, capoeira caída, capoeira mandingada, capoeira levantada, capoeira pulada, capoeira sambada, capoeira sacolejada, capoeira bambolejada.

Tem capoeira para todo corpo, e todo corpo tem sua capoeira. Mestre João Pequeno foi doutor no papel, mas antes, bem antes de ser doutor no papel, foi doutor na mandinga. Conheceu a arte querendo ser valentão, e achou o grande sentido da arte em ter seu golpe freado, manejado - porquê segundo ele mesmo, "o capoeirista para bater não precisa acertar". O golpe vai até onde for preciso, e quem está em volta sabe quando entrou e quando não entrou.

Mestre de mestres, formador de homens, professor no sentido mais estrito possível - um sujeito raro e doce, no nosso mundo tão corrido, imediatista e superficial. Calado e observador, deixa a marca de seu trabalho na história.

João Pequeno, de pequeno só teve o nome... 
Deixou esse mundo, mas o que deixou nesse mundo foi maior.
Gigantesco João Pequeno, Enorme João Pequeno.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Melhor Idade na Capoeira - CAPOTERAPIA

Capoterapia é uma terapia utilizando elementos da capoeira adaptada para pessoas da terceira idade, respeitando a condição física, as potencialidades, os limites e as características psicológicas individuais  da clientela.

A prevenção de doenças degenerativas do Aparelho Cardiovascular, Respiratório e Locomotora são os principais problemas da medicina atual, pois estas doenças ocupam os primeiros entre as causas das mortes e invalidez em grande parte das nações. No Brasil, estes problemas estão presentes principalmente em pacientes da terceira idade.

 


Durante os últimos 12 anos ficou provado que os idosos podem se beneficiar com participação  em programas de treinamentos físico.

Mas o sistema de saúde do país não possui equipes multi-diciplinares  para planejar, executar e avaliar projetos de condicionamento físico para pessoas da 3ª idade que são atendidas em seus Hospitais e Centros de Saúde. É neste vácuo que a Capoterapia tem atuado, ajudando a medicina curativa a proporcionar melhor qualidade de vida ao idoso.

CAPOTERAPIA é uma terapia utilizando o lúdico da capoeira, idealizado pelo Mestre Gilvan, em Brasilia DF. Devido ao sedentarismo dos grandes centros, aliado às doenças cardiovasculares e respiratórias, ser o grande responsável pela mortalidade entre os mais vividos. Doenças como a arteriosclerose e a artrite, entre outras, podem ser evitadas, ou mesmo tratadas, a partir da prática orientada de exercícios físicos.





A prática de esportes, com ênfase nos seus aspectos terapêuticos e de estímulo à prática socializante, tem se revelado como um poderoso instrumento para proporcionar o bem estar físico e espiritual e a própria felicidade aos idosos, num momento tão particular de suas vidas, onde o convívio familiar lhes impõe um certo isolamento natural. A capoeira, em particular, trabalhada na perspectiva de respeitar as condições físicas próprias da terceira idade, pode se converter num eficaz meio de valorização da vida social dos idosos, fazendo do seu ambiente um pólo catalisador e irradiador de cidadania.

Fonte: Mestre Gilvan - DF

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Capoeira Rede Social e Preservação

Não devemos nunca esquecer que a capoeira vem do oprimido, desfavorecido e excluído, é arte que representa a vitória e valorização de uma cultura antes marginalizada, escravizada e violentada. Todos temos por obrigação valorizar essa arte. Viver bem e aproveitar tudo que ela possa nos proporcionar como modo de vida e até mesmo profissão, isso não é ofensa, afinal muitos lutaram no passado para que pessoas como eu por exemplo pudessem viver no exterior, constituir família, ajudar parentes, e poder ter acesso a bens de primeiras necessidades ou até os tidos como fúteis.


Acho que Ofensa é aproveitar tudo o que de bom ela tem para oferecer (Não falo aqui apenas das lideranças de grupos, mas dos seus alunos também) e esquecer sua origem e seu valor ancestral, se cada um compreender isso, pensará que ela deve retornar das faculdades, academias de luxo, escolas e das classes com mais condições educativas, financeiras e sem problemas de alimentação e emprego para estender a mão para a enorme quantidade de pessoas ainda no esquecimento social e violentadas de diversas maneiras pelas concepções e velocidade da sociedade moderna.


Um grupo de capoeira pode muito bem formar ideais de acção social, pode ser interventivo de forma direta nos problemas sociais, essa é uma tarefa difícil para qualquer liderança que queira lançar mão a obra neste aspecto, pois é um exercício que demora e custa muito, e que para entrar nas mentes e principalmente na atitude das pessoas que nos cercam nem sempre é passivo, temos de estar preparados para os avanços e recuos, para as vitórias e decepções, mas quando se acredita nesse tipo de ideal, mais cedo ou mais tarde a coisa acontece.

Os dois Joãos, exemplo da humildade e simplicidade da capoeira Claro que existem milhares de maneiras em que um grupo de pessoas pode ajudar, ou melhor ainda, um grupo de capoeira, por exemplo, em toda roda de capoeira pode-se pedir para os nossos praticantes trazerem um quilo de alimento e reverter os mesmos para projetos comunitários, podemos pedir roupa, remédios ou donativos financeiros, podemos dar aulas de graça em comunidades, participar com os alunos no apoio aos sem abrigos, fazer parte das mais diversas campanhas de intervenção Social, para ajudar basta querer.


Devemos também lembrar e procurar valorizar os Mestres mais antigos, os produtores culturais populares e retribuir sem pensar duas vezes, seja de que forma for, sempre que eles precisem, porque se eu assim como muitas lideranças devemos muito do próprio sucesso do trabalho a si mesmos, devemos muito mais a esses velhos Mestres. Vamos ainda, para que nossa arte possa continuar a possuir o valor ancestral, dizer não a cópia de CD´s da cultura que destrói a sobrevivência e produção da nossa arte, diga não ao aproveitamento das limitações financeiras de muitos Mestres para acender a “Mestrias” ou ter acesso ao saber e o aproveitamento deste mesmo saber sem nenhum tipo de escrúpulo, diga não em viver depreciando todos os que não fazem parte dessa onda de estética, cultura do corpo, e a dita “Técnica”, diga não a um único modelo musical da moda que sufoca o improviso o aprendizado oral e a diversidade que sempre existiu na capoeira, diga não a tentação do crescimento fácil na integração desmedida de “professores ou não” para poder ter mais uma bandeira de país anexada ao símbolo, como se tratasse de um vitória mas que na verdade simboliza a diluição da ligação ancestral do aluno com o mestre e uma total falta de ética para com o outro mestre, pelo menos ligue para ele antes, diga não a filiação por telefone, Internet, fax, Pombo-correio e sinal de fumo, diga não a falta de ética, falta de frontalidade e de respeito ao próximo, diga sim a uma roda de boa energia e a produção cultural, a ferramenta social e a entre ajuda, a rede da capoeira diversificada e a todos os que lutam por um mundo melhor, mesmo que seja esse pequeno grande mundo chamado capoeira.

Artigo retirado do Portal Capoeira.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Transformação da Capoeira e Inserção no Contexto Escolar




A capoeira, esta arte de origem controversa e que ainda desperta muita polêmica, emergiu no bojo das camadas populares e adentra as instituições públicas e privadas de forma arrebatadora e efusiva, sendo capaz de em pouco mais de quatrocentos anos de trajetória estar presente na maior parte das escolas, clubes, universidades, academias, dentre outros, se firmando com força em vários países do mundo, força esta, que ora estamos precisando verificar, os interesses ideológicos que estão sendo defendidos nas entrelinhas de sua expansão pelo mundo. Partindo dos princípios de que a capoeira, ao longo de sua história, passou por uma série de transformações para firmar seu espaço no ambiente escolar e que a escola funciona, na maioria das vezes, como um aparelho ideológico do estado, que por sua vez estará sujeito aos ditames do capital, tentaremos aqui traçar um painel desta dialética relação entre a capoeira e a escola

    Para compreender os conflitos desta relação, precisamos lembrar que o surgimento da escola teve suas bases associadas a uma estratégia de manutenção da diferença entre a classe operária e a classe burguesa, sendo esta última beneficiada pela manutenção ideológica garantida pela escola, pois ali estariam garantidos os princípios de construção da separação entre fazer e pensar, corpo e mente, etc. 

    Todo sistema de ensino da sociedade capitalista assenta no racionalismo burguês, ou seja, um idealismo ou iluminismo que esclarece os espíritos, a massa e a matéria. Toda a sociedade dividida em duas classes é necessariamente idealista: a elite esclarecida dita as normas, e a massa bruta deve segui-las sem discussão. 

    A partir da análise deste contexto acima, fica fácil compreender o tamanho do "desafio" e das transformações, que foram "necessárias" para enquadrar a capoeira na lógica escolar, pois a capoeiragem historicamente foi também símbolo de contestação da lógica vigente e sua fundamentação filosófica, centra-se em uma simbologia que extrapola o conceito de educação escolar, ratificando o verdadeiro conceito de educação, que não estabelecem fronteiras, nem limites para as relações de ensino-aprendizagem. 

    Segundo DANGEVILLE (1978): Quando a escola é a aldeia, a educação existe onde não há escola e por toda parte pode haver redes e estruturas sociais, de transferência de saber de uma geração a outra, onde ainda não foi sequer criada a sombra de um modelo de ensino formal e centralizado. Porque a educação aprende com o homem a continuar o trabalho da vida. Á vida que transporta de uma espécie para outra, dentro de historia da natureza, e de uma geração a outra de viventes, dentro da história da espécie, os princípios através dos quais a própria vida aprende a ensinar a sobreviver e a evoluir em cada tipo de ser. 

    Deste conceito mais amplo de educação surgem às bases filosóficas dos ensinamentos da simbologia da capoeiragem. Assim fica fácil compreender o tamanho do abismo entre a matriz norteadora da capoeira e a forma na qual ela se apresenta hoje nas escolas. 

    Portanto, a capoeira ganha uma nova roupagem que abre a possibilidade de institucionalização da mesma, pois pela primeira vez a sociedade reconhecia e decodificava os símbolos que fundamentavam a prática de ensino da capoeira, por meio de um método sistematizado e escrito que poderia facilmente ser implantado em diversas instituições, fato este que aliado a uma conjuntura política que estimulava ideais nacionalistas pela forte influência do "Estado Novo" de Vargas na defesa de um modelo de ginástica que pudesse ser genuinamente brasileiro, impulsionaram um grande crescimento e divulgação da capoeira. Um outro fator que contribuiu muito para a expansão da capoeira institucionalizada foi à condição desta alternativa apresentar-se como uma possível tentativa de cooptação e controle de uma arte que insurgisse de forma subversiva em alguns pontos do território nacional, a exemplo das maltas do Rio de Janeiro e de outros pequenos movimentos de contestação da estrutura social vigente, que tinham na capoeira um braço de luta, ou seja, é importante lembrar que esta aceitação teve um preço alto, pois, a necessidade de atender os anseios de uma classe social dominante, enquadrou e remodelou a capoeira em um perfil alienador, que em última instância desarticulava sua simbologia metodológica revolucionária e a colocava a serviço do sistema. 

    A partir desta transformação, a capoeira gradativamente vai inserindo-se no contexto escolar, podendo-se atribuir ao Mestre Bimba um papel importante neste processo, pois através de seu contato com estudantes universitários de Salvador, que o convidaram para ensinar na pensão onde residiam, o mestre pode ter acesso a uma camada social e a códigos e símbolos do conhecimento científico que possibilitaram a criação e sistematização deste novo modelo de ensino da capoeira. A partir daí a capoeira inicia seu processo de institucionalização. O novo modelo de capoeira criado por Bimba e seus discípulos passa a ser reconhecido paulatinamente pela sociedade civil, sendo inclusive o Mestre Bimba agraciado com o título de Instrutor de Educação Física, mediante diploma oficial assinado por Dr. Gustavo Capanema, o então Ministro de Educação, no ano de 1957 pelo enquadramento do ensino da capoeira na legislação vigente. Apesar dos avanços proporcionados por Bimba, o mesmo só teve acesso a uma única instituição, que foi o CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva), na qual ministrou aulas de capoeira para os aspirantes da reserva. Este fato denota que a capoeira institucionalizada inicia-se com M. Bimba, mas só vem se firmar com o passar dos anos, através de outras iniciativas promovidas por seus alunos. 

Fonte: www.capoeiranaescola.com

quinta-feira, 24 de março de 2011

Capoeira: Esporte Olímpico?


A capoeira como sabemos, não pode ser interpretada de forma simplista e reducionista. Dentre as suas várias possibilidades, ela pode ser caracterizada como jogo, luta, brincadeira, dança, arte, cultura, filosofia, educação. Alguns a consideram também como esporte. A riqueza de referências contidas na capoeira, permite essa diversidade de interpretações.
Gostaria de tecer aqui, algumas considerações sobre a caracterização da capoeira como esporte. Antes de mais nada, é preciso também esclarecer que o fenômeno “esporte” também possui vários sentidos e possibilidades de interpretação. O esporte tanto pode ser visto como atividade voltada para o lazer, visando a busca pela saúde e a educação das pessoas, o desenvolvimento da cooperação e da sociabilidade daqueles que o praticam, como também pode ser visto como uma prática altamente competitiva, excludente, discriminatória (pois só os mais fortes e habilidosos tem vez) em busca da vitória “a qualquer custo”, ou seja, mais um produto dessa nossa cruel sociedade capitalista.
Pois é, aqueles que defendem a capoeira como esporte, têm que deixar claro a que tipo de concepção de esporte estão se referindo. Se for a uma concepção de esporte que busque a integração, o prazer, a inclusão, a socialização das pessoas, aí então posso concordar com essa visão. Mas do contrário, sou muito crítico àquela visão que associa a capoeira ao esporte competitivo, onde campeonatos são organizados para se eleger o melhor, o mais forte, o mais habilidoso, o mais acrobático, onde juízes e regras vão transformando a alegria e espontaneidade de um jogo de capoeira, num clima tenso e pesado onde é travada uma batalha feroz e muitas vezes violenta.
Mestre Bimba e Alunos na Década de 30 um dos percursores da capoeira dentro do contexto da academiaA capoeira não pode ser reduzida a isso !  Gosto de ver um jogo de capoeira onde as pessoas sorriem e se divertem jogando. Onde há espaço para uma brincadeira marota, uma dissimulação, uma mandinga, uma “gaiatice” como se diz aqui na Bahia. Me pergunto como isso seria julgado por um juiz num desses campeonatos ? Quantos pontos valeria uma mandinga ou uma gaiatice de um capoeira malandro ? Por que um jogo de capoeira tem que ter um perdedor e um ganhador ?  Quem vai estabelecer os critérios do que é bom e o que é ruim num jogo de capoeira, para se definir a pontuação ?  É possível alguém definir isso em se tratando de uma prática tão complexa, rica e diversa como a capoeira ???
Nessa direção, muito me preocupa um certo movimento de querer transformar a capoeira em esporte olímpico. Aí seria, na minha opinião, a sentença de morte para a capoeira enquanto livre expressão do povo brasileiro. A capoeira tem beleza e valor, justamente por possuir essa diversidade, essa espontaneidade, essa alegria. No momento em que enclausurarmos a capoeira dentro de regras internacionais rígidas e competitivas – pois é isso que se exige de um esporte olímpico – a capoeira estará sendo destituída de seus elementos mais ricos, mais belos, estará perdendo a sua alma !!! Se o saudoso Mestre Pastinha por aqui estivesse, certamente iria bradar contra isso.
Certo dia desses, fui convidado a um evento de capoeira onde, entre outras atividades, houve um campeonato. Fiquei observando de longe as reações, o clima de tensão, os semblantes fechados, as adversidades e as animosidades que aquilo tudo produzia nas pessoas que participavam do tal campeonato. Mas tive certeza mesmo dos malefícios que aquilo trazia, quando presenciei o choro inconsolável de uma menina de 10 anos, que perdera a final para uma outra menina um pouco mais velha. O jogo bonito que ela apresentou não lhe serviu de nada. A garota mais velha, para os juízes, foi mais “agressiva”. A medalha foi para ela !!!
É nisso que queremos que a nossa capoeira se transforme?

quarta-feira, 16 de março de 2011

CRÔNICA: A Postura Política do Capoeira

Todo capoeirista que preza a história dessa manifestação, sabe que a capoeira tem um conteúdo político muito forte. Afinal ela surge como uma reação a uma violência a que eram submetidos os povos escravizados vindos de África, aqui no brasil. A capoeira é antes de mais nada, uma contestação ao sistema escravagista que submetia milhões de homens e mulheres a uma cruel e desumana condição onde não só os trabalhos forçados, mas também a negação de sua cultura, sua religião, seus símbolos, seus modos de vida, era em última instância, a negação de sua própria condição de seres humanos.
Por isso a capoeira foi tão perseguida durante tantos anos. E por isso também foi preciso resistir durante muito tempo para que essa manifestação chegasse até os nossos dias, com o reconhecimento que adquiriu em nossa sociedade atual, com status de “símbolo da cultura brasileira”. Devemos isso aos bravos capoeiras do passado que souberam com suas artimanhas e estratégias, enfrentar o poder para continuar cultivando suas tradições e preservando-as com muita dignidade para as gerações futuras. Isso se constitui numa postura extremamente política.
Hoje a capoeira é muito bem vista pelas sociedades de todas as partes do mundo, e muitos são os capoeiristas que sobrevivem dessa arte. Em muitas partes do planeta, essa manifestação virou até um certo “modismo”, mobilizando milhões e milhões de praticantes de todas as faixas etárias, mas sobretudo, atingindo o público predominantemente jovem. E por ter se transformado em “modismo”, muitas vezes esse conteúdo político que está na gênese da capoeira, acaba perdendo espaço e sentido, fazendo com que ela se transforme em mera atividade voltada ao entretenimento e ao cultivo das qualidades físicas e acrobáticas. Se a prática da capoeira se restringe a esses valores, vamos estar formando somente capoeiras alienados, e nada mais !!!

Sabemos que a capoeira é muito mais do que isso !!!
Nosso Encontro Berlin 2009 -Em destaque:  Mestre Bailarino, Prof. Papilon e Pedro Abib - Foto Luciano MilaniO capoeirista que tem postura política é aquele que busca estar sempre “antenado” com o mundo que o rodeia. É aquele que busca desenvolver sua capacidade crítica diante dos fatos que atingem a sociedade da qual faz parte, assumindo uma postura de questionamento e muitas vezes até de enfrentamento, quando necessário. É aquele que não se conforma com as injustiças, com os desmandos dos poderosos, com qualquer tipo de opressão. É aquele que busca sempre se envolver nas questões sociais que o afligem, demonstrando determinação em agir no sentido da transformação dessa realidade. Se envolve em debates e busca sempre ampliar seu conhecimento sobre a situação de sua comunidade, sua cidade, seu país, de sua gente.
Os mestres e professores comprometidos com essa visão crítica que a capoeira pode proporcionar aos seus praticantes, devem estar o tempo todo estimulando isso nos seus grupos, quer seja promovendo debates sobre questões sociais, históricas, étnicas, ecológicas, de gênero, etc…quer seja participando de ações diretamente envolvidas com essas questões ao lado de seus alunos em manifestações públicas, passeatas, mobilizações, ou ainda em articulação com outros movimentos sociais, pois a capoeira é também um movimento social. E tem um potencial de ser tornar um movimento muito forte e atuante, pois agrega milhões de pessoas no mundo todo.
Talvez não tenhamos ainda uma noção muito clara sobre o poder político e de mobilização social que a capoeira possui. Por isso, se os grupos começarem a incentivar a formação política dos capoeiras (como felizmente já vem fazendo muitos grupos por aí), no sentido de atuação para a transformação da realidade que atinge nossas sociedades, com certeza a contribuição da capoeira será ainda maior no sentido de  transformar esse mundo, num mundo mais humano, justo e solidário !!!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

III Ceará Fest Capoeira - edição 2010

O III Ceará Fest Capoeira foi um evento realizado pela FABRAC - Fundação Arte Brasil Capoeira, que possibilitou a todos os capoeirista do estado do Ceará, principalmente os filiados à Fundação, um intercâmbio com Mestre de renome nacional, através de oficinas, palestras e muita roda de capoeira.



Participaram do evento Mestres Sabiá, Tucano Preto, Jogo de Dentro, Levi, José Carlos, Gilvan, Índio, Malazart, Buldog, Marrudo, Dingo, Jair, Envergado, Paulinha, Lula, Ávila, Armando, Pessoa entre outros.

Mestre Pedro, Presidente da Fundação, também formou os mais novos Mestres de capoeira da FABRAC. São eles: Otávio, Luiz, Silvano, Maninho  (CE), Leão (PA) e Montanha (PI).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Capoeira

A capoeira
É um jogo, é um brinquedo,
É se respeitar o medo,
É dosar bem a coragem
É uma luta,
É manha de mandingueiro,
É o vento no veleiro,
Um lamento na senzala
É um berimbau bem tocado,
É um corpo arrepiado,
Um sorriso de menininho



Fonte: Mestre Tony Vargas - Cântico

sábado, 13 de março de 2010

Capoterapia em Mulungu


O Contramestre Nir, da FABRAC de Mulungu-Ce, iniciará no mês de abril em parceria com a Secretaria de Assistência Social daquela cidade, aulas de Capoterapia para Grupos da Terceira Idade.

O projeto contará com pessoas da sede e localidades de todo o município.
Contramestre Nir, que foi habilitado por Mestre Gilvan, criador da Capoterapia, é o único no Maciço de Baturité capacitado para desempenhar o trabalho.

Mestre Gilvan, capoeirista brasiliense, há 11 anos, o constatou que havia escassez de políticas públicas e de atividades específicas para a terceira idade. Nascia no Distrito Federal a capoterapia - capoeira adaptada para a terceira idade - como modalidade lúdica, capaz de atrair pessoas e tirá-las do sedentarismo.

Uma das diferenças da capoeira tradicional para esse novo método está no ritmo e na intensidade. Assim como na capoeira, na capoterapia há a ginga, movimento tradicional da capoeira, e os alunos têm pequenas noções da esquiva, que é o ato de se desviar de um golpe. Mas, evidentemente não há saltos, nem golpes mais contundentes, que possam expor os idosos a acidentes e lesões.

A capoterapia pode ser praticada, inclusive, por cegos, pessoas com déficit mental ou com seqüela motora (cadeirantes). Apenas pessoas com doença cardíaca grave devem evitar, pois nestes casos qualquer esforço físico mais intenso é uma ameaça a sua saúde. Como a maioria dos grupos de capoeira funciona em centros de saúde, os próprios médicos alertam os pacientes sobre a viabilidade ou não de fazer a capoterapia. E, o que é mais importante, na capoterapia há o respeito ao ritmo de cada um.

O que é a capoterapia?

É uma terapia utilizando elementos da capoeira adaptada para pessoas da terceira idade, respeitando a condição física, as potencialidades, os limites e as características psicológicas individuais da clientela.

A prevenção de doenças degenerativas do Aparelho Cardiovascular, Respiratório e Locomotora são os principais problemas da medicina atual, pois estas doenças ocupam os primeiros entre as causas das mortes e invalidez em grande parte das nações (1). No distrito federal, estes problemas estão presentes principalmente em pacientes da terceira idade.

Durante os últimos 12 anos ficou provado que os idosos podem se beneficiar com participação em programas de treinamentos físico (2). Mas o sistema de saúde do distrito federal não possui equipes multi-diciplinares para planejar, executar e avaliar projetos de condicionamento físico para pessoas da 3ª idade que são atendidas em seus Hospitais e Centros de Saúde. É neste vácuo que a Capoterapia tem atuado, ajudando a medicina curativa a proporcionar melhor qualidade de vida ao idoso.

CAPOTERAPIA é uma terapia utilizando o lúdico da capoeira, idealizado pelo Mestre Gilvan. Em Brasília (DF) devido ao sedentarismo dos grandes centros, aliado às doenças cardiovasculares e respiratórias, ser o grande responsável pela mortalidade entre os mais vividos. Doenças como a arteriosclerose e a artrite, entre outras, podem ser evitadas, ou mesmo tratadas, a partir da prática orientada de exercícios físicos.

A prática de esportes, com ênfase nos seus aspectos terapêuticos e de estímulo à prática socializante, tem se revelado como um poderoso instrumento para proporcionar o bem estar físico e espiritual e a própria felicidade aos idosos, num momento tão particular de suas vidas, onde o convívio familiar lhes impõe um certo isolamento natural. A capoeira, em particular, trabalhada na perspectiva de respeitar as condições físicas próprias da terceira idade, pode se converter num eficaz meio de valorização da vida social dos idosos, fazendo do seu ambiente um pólo catalisador e irradiador de cidadania.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Show no Encontro Intermunicipal de Capoeira

Com a participação de capoeiristas das cidades de Aratuba, Mulungu, Guaramiranga e Baturité, além de convidados de Fortaleza, a Fundação Arte Brasil Capoeira, tendo a frente o Contramestre Nir, que desenvolve um trabalho com Capoeira e Arte-Educação nas cidades de Aratuba, Mulungu e Guaramiranga, realizou nos dias 17 e 18 de outubro o Encontro Intermunicipal de Capoeira com Batizado e Troca de Cordas.

Aratuba viveu dois dias com Rodas de Capoeira, Oficinas e Apresentações Culturais. Suas ladeiras e ruas estreitas lembram um pouco as ladeiras do Pelourinho, daí todo o encanto e magia do evento.

Prestigiaram o evento Mestre Pedro, presidente e fundador da Fundação; Estagiários de Mestre Otávio e Luiz; Contramestres Macaco, Netão, Avião, Herbesty, Inácio; Professores Moleza, Roberta, Flavinho; Instrutores Geison, Loucão e Monitores: Pacato, Helton.

Na ocasião foram batizados alunos do Município de Guaramiranga que receberam sua primeira corda e, assim ingressaram no mundo da capoeira. Foram graduados também Ivan Valentim e Helton Oliveira como Monitores da Capoeira, por desenvolverem um importante trabalho nas escolas do município.

E não esqueçam, o próximo encontro, que será realizado em 2010, está marcado para Guaramiranga, Cidade das Flores, dos Festivais e também por que não dizer da Capoeira.

Axé a todos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

I Encontro Intermunicipal de Capoeira


A Fundação Arte Brasil Capoeira realizará dias 17 e 18 de outubro o I Encontro Intermunicipal de Capoeira, na cidade de Aratuba, Região Maciço de Baturité, Ceará.

O encontro terá uma programação variada, que agradará capoeiristas e visitantes.

Programação:

Dia 17 de outubro
18h - Recepção aos Capoeiristas
19h Roda Aberta
Local: Praça Central de Aratuba

Dia 18 de Outubro
9h - Roda Aberta
Local: Clube Municipal
10h - Batizado e Troca de Cordas
Local: Clube Municipal

Realização: Contramestre Nir
Supervisão: Mestre Pedro
Colaboração: Graduado Ivan

terça-feira, 23 de junho de 2009

Como morreu Besouro Mangangá?

Apesar de registrada nos anais da cidade baiana de Santo Amaro, as circunstâncias da morte de Manoel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá, ocorrida no dia 8 de julho de 1924, ainda permanecem um mistério. As lendas e as músicas a seu respeito, falam de assassinato por faca de ticum, a única madeira que seria capaz de afetar homens de corpo fechado como Besouro. Na vida real, contudo, há muita controvérsia e pouca certeza a respeito do fim do grande herói dos capoeiristas da Bahia.

Que ele morreu de faca, é quase certo. Há até testemunhas, ainda vivas, que lembram de ver Besouro sendo levado ao hospital, ensanguentado. Uma delas, inclusive, é ninguém menos que a mãe de Caetano Veloso, Dona Canô, que aos 102 anos de idade vive até hoje em Santo Amaro.

Há quem diga que Besouro morreu em confronto com a polícia. Porém, a versão mais aceita é a de que ele foi morto numa emboscada armada contra ele, com todas as características de vingança, perpetrada por um fazendeiro rico da região, conhecido por Dr. Zeca.
Consta que o filho do fazendeiro, conhecido como Memeu, tomou uma surrra de Besouro. Dr. Zeca, então, armou a seguinte cilada: pediu que um testa-de-ferro seu “contratasse” Besouro para entregar um bilhete numa fazenda nas imediações de Santo Amaro, e voltar à fazenda no dia seguinte, para saber a resposta. Besouro não desconfiou que o destinatário do bilhete era o seu próprio assassino e, analfabeto que era, foi incapaz de identificar que o conteúdo da mensagem que ele mesmo entregava era sua sentença de morte: e uma ordem para que o portador do bilhete fosse assassinado.

Assim, no dia seguinte, quando foi receber a “resposta”, Besouro teria sido cercado por mais de 40 soldados. Então, um homem conhecido por Esébio de Quibaca - o destinatário do bilhete - o esfaqueou até a morte.

Teria morrido assim, então, o rapaz forte, impetuoso e tão ágil que ganhou o apelido de Besouro porque “voava”, “mangangá” porque era rápido e perigoso como o peixe venenoso que leva esse nome, e “cordão de ouro” porque era tão bom na capoeira que sua graduação, seu “cordão”, não tinha cor nenhuma, como ocorre com os demais capoeiristas: era, simplesmente, “de ouro”.
Os atores Ailton Carmos, o Besouro, e Anderson Grillo, o Quero-Quero, numa cena de luta.
FOTO DO FILME “BESOURO”, DE João Daniel Tikhomiroff

terça-feira, 26 de maio de 2009

DISTENSÕES MUSCULARES

Porque ocorre?

Ocorre por causa do alongamento exagerado das fibras que formam os músculos, acompanhado da ruptura de algumas delas. A distenção é mais comum nos músculos da perna - especialmente na parte interna da coxa e na panturrilha. O alongamento exagerado é causado quando o músculo é exigido e alongado além de sua capacidade, geralmente como conseqüência de movimentos bruscos.

Sintomas
Os sintomas costumam ser dor aguda no local, inchaço e formação de hematomas.
Providências
Quando acontece uma distensão, o repouso do músculo afetado deve ser o procedimento número um. Continuar a movimentá-lo pode agravar a lesão e aumentar a dor. "É preciso colocar gelo no local o mais rápido possível, para diminuir a dor, a inflamação e o sangramento interno", recomenda Itiro Susuki, médico do departamento de ortopedia do Hospital das Clínicas. O tratamento com gelo deve ser repetido durante os primeiros dias. A aplicação de compressas quentes só deve ser feita depois desse tempo, para complementar o tratamento. Mas nunca imediatamente após a lesão. "O calor aumenta o inchaço e o sangramento". Explica Susuki. Além do gelo, é necessário tomar analgésicos e antiflamatórios, mas sempre seguindo a orientação de um médico. Medicamentos como gel e pomadas para contusões não costumam ser eficazes nesses casos, uma vez que não conseguem penetrar até as fibras do músculo.
Prevenção
Para prevenir a distenção muscular e outros tipos de lesão, a principal recomendação é fazer um aquecimento e, principalmente, alongamento antes do início da atividade física. "O alongamento aumenta a capacidade de elasticidade dos músculos, o que melhora a resistência deles contra as lesões", afirma Susuki. O cansaço muscular, a falta de preparo e a má alimentação também contribuem para o enfraquecimento das fibras.
ALIMENTAÇÃO
Comer bem também serve para prevenir lesões musculares. Alimentos ricos em ferro (espinafre e feijão) e proteínas (leite e ovos) ajudam a aumentar a elasticidade e a capacidade muscular.
OVERTRAINING
O excesso de treinamento conhecido como overtraining, atinge o organismo por inteiro, com repercussões negativas em vários sistemas do corpo. A sobrecarga de exercícios físicos contribui para a perda da resistência dos músculos e facilita o aparecimento de lesões.
COLÁGENO
Além da falta de alongamento, a falta de colágeno - uma proteína que permite a elasticidade dos tecidos - também é responsável pelas distensões musculares. Com o envelhecimento, a substância é produzida em menor quantidade pelo organismo.
COMO CURAR UMA DISTENÇÃO MUSCULAR
O QUE FAZER?
* Parar o exercício imediatamente quando sentir a dor. Continuar o movimento pode agravar a lesão;
* Deixar o músculo lesado em repouso;
* Colocar gelo no local. O gelo, além de ajudar a diminuir a dor, pode impedir o aparecimento do edema (inchaço) e do hematoma (mancha roxa na pele). Nas primeiras horas, deve-se aplicar compressas de gelo durante cerca de 30 minutos, de duas em duas horas;
* Tomar analgésicos e antiflamatórios, sempre com a supervisão de um médico. Os remédios ajudam a diminuir a dor e aceleram o processo de recuperação do músculo;
* Fazer fisioterapia. A movimentação do músculo, sempre com a supervisão de um profissional, é importante na recuperação, que leva de três a quatro semanas.
O QUE NÃO FAZER?
* Não continue a exercitar o membro, nem tente fazer alongamento para diminuir a dor;
* Nunca aplique compressas quentes no local imediatamente após a lesão. O calor faz aumentar o sangramento interno do músculo e o aparecimento de edemas. O tratamento com calor pode ser feito após o período inicial de tratamento com gelo, para ajudar a diminuir a dor;
* Evite fazer massagens no local, isso pode ajudar a agravar a lesão;
* Não é necessário imobilizar o membro lesado;
* Gel e pomadas para contusões não têm grande efeito no tratamento de distensões musculares, pois não penetram até as fibras musculares lesadas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

A dança da zebra

As semelhanças são impressionantes. Será que foi do ‘n'golo’, jogo de combate angolano, que nasceu a nossa capoeira?

A origem da capoeira sempre foi controvertida. Mestre Pastinha (1889-1981), um dos mais famosos capoeiristas da Bahia, durante muito tempo pensou que a ginga que aprendera desde criança provinha de uma mistura do batuque angolano e do candomblé dos jejes, africanos da Costa da Mina, com a dança dos caboclos da Bahia. Mas, por falta de mais conhecimentos, não podia ir muito além dessa afirmação.

Isso até a década de 1960. Foi quando uma revelação mudou completamente suas idéias sobre as origens da capoeira. À frente de sua academia, situada no Pelourinho, em Salvador, Pastinha recebeu a visita de um pintor vindo de Angola. Chamava-se Albano Neves e Sousa e afirmava que tinha visto na África uma dança semelhante ao tipo de capoeira que o mestre baiano ensinava. Só que lá chamava-se n’golo.

Até então, ninguém por aqui tinha ouvido falar de nada semelhante. A memória oral não registrava nenhuma prática ancestral específica. Muitos afirmavam, e continuam afirmando, que a capoeira teria sido inventada pelos escravos nas senzalas. Outros, que teria sido criada pelos quilombolas em sertões distantes. Estudiosos têm ressaltado o caráter urbano da capoeira, pois as fontes do século XIX só documentam sua prática por escravos africanos e crioulos (negros nascidos no Brasil) em cidades portuárias, como Rio de Janeiro e Salvador. Naquela época, era uma “brincadeira” proibida, e a grande maioria dos africanos presos por “jogar” capoeira no Rio de Janeiro era originária da África centro-ocidental, das “nações” Congo, Angola e Benguela. Em Salvador, a capoeira também era identificada como uma “brincadeira dos negros angola”. Por essa razão, faz realmente sentido buscar as raízes da capoeira na região dos atuais Congo e Angola.

O n’golo, explicou Neves e Sousa ao velho capoeirista, é dançado por rapazes nos territórios do sul de Angola, durante o ritual da puberdade das meninas. Chamado de mufico, efico ou efundula, esse ritual marca a passagem da moça para a condição de mulher, apta a namorar, casar e ter filhos. É uma grande festa em que se consome muito macau, bebida feita de um cereal chamado massambala. O objetivo do n’golo é vencer o adversário atingindo seu rosto com o pé. A dança é marcada pelas palmas, e, como na roda de capoeira, não se pode pisar fora de uma área demarcada. N’golo significa “zebra” e, de fato, alguns movimentos, em particular o golpe dado pelo pé, de costas e com as duas mãos no chão, parecem mesmo com o coice de uma zebra.

Os registros e a argumentação de Albano eram bastante convincentes. Se os africanos escravizados nas Américas lograram, apesar de condições terrivelmente adversas, adaptar suas religiões e seus rituais, assim como suas festas e danças de umbigadas, não seria lógico que também trouxessem para cá seus jogos de combate e suas artes marciais? Sabe-se que os exércitos congolês e angolano eram formados por guerreiros exímios na luta corporal. Vários cronistas destacaram a habilidade com que eles evitavam golpes, jogando o corpo para o lado de maneira imprevisível e confundindo o adversário.

Ainda que muitos dos africanos escravizados conhecessem as artes da guerra, a maioria se dedicava à agricultura ou à pecuária antes de ser aprisionada e embarcada à força para as Américas. Os povos pastores de Angola, em particular, por causa da necessidade de proteger o gado que tangiam contra eventuais gatunos, desenvolveram técnicas de combate individuais, sabendo manejar paus e outras armas contundentes contra os inimigos.

Os cronistas coloniais não forneceram descrições pormenorizadas das técnicas nem dos rituais desses antigos jogos de combate, o que torna impossível qualquer tentativa de aproximá-los da capoeira como hoje a conhecemos. Os significados culturais desses rituais também mudaram ao longo dos séculos, acompanhando a intensa transformação socioeconômica e cultural por que passou a África a partir do século XVII. Até as fronteiras étnicas foram redesenhadas antes que se chegasse à configuração atual. Assim, todas as manifestações que porventura existem hoje em Angola são expressões contemporâneas, e só têm relações tênues com os jogos de combate do tempo do tráfico negreiro.
Infelizmente, Mestre Pastinha, por ocasião da visita de Albano Neves e Sousa, já estava com a vista comprometida por uma catarata – aliás, nunca operada por falta de recursos. Isso limitava muito qualquer plano seu de divulgar a recente descoberta. Chegou a contar a história que ouviu para seus alunos mais próximos, mas não deixou nenhum registro escrito sobre o n’golo. Nem seu livro Capoeira Angola, publicado pela primeira vez em 1964, nem seus diversos manuscritos, por serem anteriores ao encontro com o pintor luso-angolano, mencionam a “dança da zebra”. Mas Albano Neves e Sousa conseguiu convencer outros brasileiros de sua teoria, entre eles o então presidente da Sociedade Brasileira de Folclore, Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).
FONTE:
MATTHIAS RÖHRIG ASSUNÇÃO é professor de História na Universidade de Essex, Inglaterra, bolsista da CAPES em 2007 e autor de Capoeira. The history of an Afro-Brazilian martial art (Routledge, 2005).
COBRA MANSA (CINÉSIO FELICIANO PEÇANHA) é mestre de capoeira angola e criador da Fundação Internacional de Capoeira Angola (Fica).